Parte I

Demorou para recobrar a consciência, ainda não sabia onde estava e as memórias da noite passada estavam fragmentadas, seu corpo todo doía, tudo ainda estava rodando, foi difícil conseguir ficar em pé sem vomitar, estava fraca, tonta e toda suja de uma mistura que parecia ser terra e vomito. Ficou de joelhos até sentir confiança de começar a andar e identificar o lugar, não havia mais ninguém ali, só restos de bebidas e garrafas quebradas nos cantos, parecia ser um galpão de uma fazenda, a qual não conhecia e nem fazia ideia de onde ficava. Estava chovendo, uma chuva fina e fria que foi caindo no seu corpo a fazendo arrepiar, apesar de estar acabada a sensação da chuva em seu corpo era maravilhosa. Pegou sua bolsa e saiu dali, foi andando sem rumo na esperança de chegar em algum lugar para conseguir voltar para casa. Como era difícil conseguir andar em um salto e tonta, nem lembrava o quanto tinha bebido, nem lembrava como tinha chegado a essa festa ou quem a havia levado, era como se a noite de ontem não tivesse existido. Achou uma placa no meio do caminho que dizia que sua cidade ficava a 20 km e não passou nenhum carro  na rodovia desde o momento que começou a andar, seu celular estava sem bateria, mas no pequeno relógio que carregava no pulso marcava 6:30 AM. Por um momento pensou “meus pais vão me matar quando chegar em casa”, mas ai lembrou que não morava mais com seus pais, que já tinha 18 anos então era “responsável” por si, sua mãe havia morrido há dois anos e seu pai morava em uma cidade há 400 km, provavelmente nunca ficaria sabendo do acontecido, eles mal se falavam, uma ligação ou outra por mês nada além disso. Morava nessa cidade desde a morte de sua mãe, veio para estudar e como seus pais não tinham como a sustentar fora de casa começou a trabalhar, nunca teve sorte em arrumar um bom emprego, sempre se estressava com relação aos horários, folgas e horas extras não pagas. Fazia o estilo de menina certinha, mesmo quando sua mãe faleceu ela manteve o controle, das coisas mais loucas que fez foi pintar parte do cabelo de colorido e uma tatuagem em homenagem a sua mãe. Não bebia demais, nem usava drogas, mal saia de casa, na universidade era conhecida como a “caretona”, não tinha amigos, só alguns conhecidos, ficava a maior parte do tempo trabalhando ou na universidade e quando estava em casa ficava lendo, deitada, assistindo alguma série ou escutando música, ela ouvia muita música, ouviria o dia todo se fosse possível, era a única coisa que gostava de fazer nos últimos meses. Foi caminhando e caminhando, tentou ir mais rápido mas seus pés mesmo descalços não conseguiam, cambaleava, rodava e se perguntava como tinha chegado a tal ponto, chorava de raiva, de medo, queria saber o que tinha acontecido para estar desse jeito, mas não conseguia lembrar. Alguns carros passaram ao longo do dia, mas os que paravam para dar carona pareciam suspeitos, sendo assim preferiu ir andando, já estava anoitecendo quando conseguiu avistar sua casa, mal conseguia equilibrar seu corpo, abriu a porta e caiu no chão da sala, ficou lá, adormeceu, acordou já passava da meia-noite, sentia-se um pouco melhor, tentou tomar um gole de água que desceu amarga na garganta, tomou um longo, mas longo banho, ficou em baixo do chuveiro pensando nas últimas 24 horas, começou a chorar baixinho, não por não lembrar, mas porque estava doendo, algo dentro de si não estava bem, e ela se desesperou e chorou, bateu as mãos nos azulejos com força várias vezes, mas a dor não ficava menor, sentia-se sufocada, sentia como se estivesse se afogando dentro do próprio corpo. Depois do banho colocou uma das roupas mais confortáveis que tinha e deitou na cama, virou de um lado, do outro e não conseguiu se ajeitar, ligou o computador colocou Bryan Adams pra tocar e deitou no chão, de barriga para cima e ali ficou, ouvindo as músicas, chorando e chorando, sem pensar no longo dia que teria que enfrentar na manhã seguinte…

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Fora!!!!

Segunda-feira é o dia mais esperado da semana porque é minha folga, hoje acordei tarde e com os gritos de uma manifestação contra a reforma da previdência e contra o Temer. Imediatamente sai para a sacada observar as pessoas com seus guarda-chuvas e capas, cantando uma melodia em coro! E chorei observando tudo aquilo! Porque é triste, muito triste! Temos que  nos manifestar em marchas, passeatas e afins para tentarmos sermos ouvidos… Votamos em governantes que julgamos ser capazes de administrar a máquina pública. Damos um voto de confiança e os elegemos… e ai eu me pergunto, pra que? Entra Paulo,  entra Pedro é tudo a mesma bosta! Roubam milhões, tiram da boca do povo brasileiro,  que na maioria das vezes se obriga a trabalhar em um serviço pouco remunerado pra não passar fome, enquanto que os políticos recebem seus salários absurdos e ainda embolsam milhões com fraudes e tudo mais… Sinceramente eu estou bem desanimada! Com o Temer, com o Lula, com a Dilma,enfim, desanimada com os políticos brasileiros, porque sinceramente eu já perdi a confiança! São deputados e senadores envolvidos em investigações, a grande maioria  corruptos e enchem a boca pra falar que estão defendendo e fazendo o melhor pro povo, só se o povo significa o povo que eles sustentam em suas casas, porque não é o povo brasileiro…  Não vim aqui defender político nenhum!! Só vim desabafar e dizer que estou indignada e sim, sou contra a reforma da previdência! Me pergunto como algumas pessoas a defendem, porque não temos nem as condições minimas de sobrevivência! Até hoje muitas pessoas morrem antes mesmo de se aposentar, ou quando estão encaminhando os  papeis para a aposentadoria, então imagina como vai ficar com essa reforma!! É fácil defender a reforma trabalhista quando o dito  cujo se aposentou aos 55 anos ganhando muito, mas muito mais que uma merreca de salário minimo!! Brasil precisa mesmo  é de uma reforma pra limpar os políticos corruptos que estão espalhados por todo território!!!

Mais uma da Bia…

Teve um dia bem longo, estava bem cansada, com dor nas costas, nas pernas, enfim no corpo todo, mas estava com vontade de sair, beber, pular, dançar… Colocou os fones de ouvido, seu vestido mais largo e seu chinelo rosa e começou a dançar na sala, a balançar no ritmo da música e o sorriso veio fácil assim como o amor… O amor pelo momento que estava passando e a gratidão pelo dia, pela vida e as coisas que estavam acontecendo… Uma melodia atras da outra, um passo desajeitado aqui, um giro ali, fez sua própria festa! Se despiu de toda negatividade da semana e foi feliz…

Esperar…

Te esperei na rodoviária como faço todo final de semana…
Levei uma xícara de café, e as balas que você adora…
Arrumei meu quarto, comprei aquele vinho seco que eu sei que você gosta…
Pintei minhas unhas, passei perfume, e coloquei aquela camisa do
nirvana que me deu no nosso primeiro ano de namoro…
Fiquei com aquele frio na barriga como sempre quando o onibus encostou na rodoviária
Esperei todo mundo desembarcar, porque você sempre é o último a sair…
Mas dessa vez você não veio, e nem avisou que não vinha…
Dessa vez me deixou sozinha, buscando a solidão dos inúmeros ônibus que vão e vem…
E por mais que não tivesse mais nenhum ônibus pra chegar eu fiquei esperando…
Eu tinha esperança que você daria um jeito de chegar e que era só um mau entendido…
Depois que anoiteceu percebi que não viria…
Fui pra casa, tomei a garrafa toda de vinho, que eu nem gosto, mas que comprei
só pra te agradar…Fiquei imaginando o tanto de coisas que eu poderia ter feito além de te esperar…
Imaginei nosso “futuro”, que agora não passa de memórias não compartilhadas…
De tanto esperar eu cansei, hoje não espero nem o café esfriar…

Você…

Você escolheu ser só mais um…
Aquele que me deixa com o coração apertado…
Que me magoa sem dó…
Que usa e abusa de mim várias vezes…
Escolheu ser passado…
Escolheu ficar pra trás…
De tantas escolhas suas eu esqueci de me escolher…
Fiquei a mercê da sua boa vontade…
Mas agora eu acordei e sim escolhi deixar você…
Deixar que escreva uma nova história sem mim…
Deixar de sentir tua falta…
Deixar de te querer…
Enfim, consegui escolher…
E não escolhi você…
E não é porque eu queira escolher outro
na verdade não quero ninguém, pelo menos não agora…
Me escolhi e do presente eu só quero bem querer…

Coisada…

Sim, tô “coisada”, não sei o que estou sentindo e não estou sabendo lidar com isso no momento. Estou seguindo a minha rotina, não porque eu queira, mas por obrigação, porque tenho que pagar as minhas contas, e sou muito responsável pra fazer algo nesse sentido. Por mais que eu queira parar, não fazer nada eu não consigo… Queria um tempo pra minha cabeça, sem família, crush, pessoas enfim, queria me isolar de todos por um tempo, até me reorganizar mentalmente e voltar a ter o controle sob a minha vida… Tempo, vai com calma, porque eu ainda não sei o que fazer…

Idas e vindas, recaídas e recomeços…

Não liguei, nem mandei mensagem nas redes sociais, apesar de ter uma vontade incontrolável de fazer isso inúmeras vezes, principalmente nos finais de semana… Não apareci na sua casa e nem entrei em contato com a sua família, pelo contrário, me isolei mais ainda, e tento evitar qualquer tipo de lembrança, mas os finais de semana são os mais difíceis… Eu não era mais feliz, eu sei! Sei que deveria te odiar, mas não consigo… Só consigo pensar em te querer perto, em sentir tua respiração ofegante e seus braços me envolvendo no abraço mais confortável de todos os tempo! Só consigo pensar que eu queria desesperadamente que me ligasse só pra dizer ” Me busca na rodoviária amanha, tô indo te ver”! Só queria ouvir tua voz, nem que fosse pra dar conselhos, e nem que fosse apenas como um amigo! Esse é o problema do fim dos relacionamentos, normalmente nem a amizade sobra, e você era meu melhor amigo…