Não tem mais nós dois na calçada de mãos dadas, nem no elevador trocando beijos apressados matando a saudade depois de uma semana inteira agitada! Não tem mais nós dois no meu quarto com as luzes apagadas e a respiração ofegante! Não tem mais nada… Tu se tonou uma mera lembrança de uma paixão efêmera…

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Sem chance

Não quero ser sua metade porque já sou inteira!

Não quero seguir teus passos porque não é o meu caminho!

Não vou fingir, brigar e me estressar com você porque não me importo com o que sentes!

Pode parecer egoismo da minha parte, mas você não sabe um terço da minha história!

Não quero teus julgamentos e muito menos tuas palavras embebidas em amargor!

Não quero aceitação, nem teu nome na minha aliança! De você não quero nada!

Tu provou ser exatamente como os outros!

Alguém volátil, que não se importa com nada além do próprio umbigo!

Boa noite…

 

Desabafo

Tem tanta coisa acontecendo que nem sei por onde começar. Ando sem inspiração pra escrever textos bonitinhos, ou poesia. Comecei três vezes um texto sobre esse final de semana e não consegui concluir nenhum, estou frustrada com as palavras. Mas ao mesmo tempo sinto que preciso escrever, pra conseguir deixar essas páginas lá atrás e continuar seguindo. Passei o final de semana inteiro com a minha família, coisa que não acontecia desde o natal, apesar de nos encontramos em uma situação nada agradável eu me senti segura. Pude abraçar inúmeras vezes meu pai, minhas irmãs e meu irmão mais novo. Desde que perdi minha mãe em 2014 eu tenho pavor de perder mais alguém, só de pensar em viver tudo de novo meu corpo estremesse. E na última sexta-feira eu revivi os piores sentimentos. Perdi uma tia, irmã de minha mãe. Perdi o controle novamente. Me senti sozinha, com medo e querendo profundamente alguém pra me aninhar, assim como aconteceu quando perdi minha mãe, mas dessa vez não havia ninguém. Fiz várias escolhas nos últimos meses e uma delas foi a de ficar sozinha. Não consigo ser inteira com outro alguém, e não acho justo alimentar falsas esperanças. Eu entrei em pânico, vim pra casa, liguei pro meu pai quatro ou cinco vezes e escutei inúmeras vezes ” respira, dorme, amanha a gente vê o que faz”, mas eu não consegui dormir e agradeci muito por minha irmã ter percebido esse desespero. Ela chegou depois da meia-noite, e o abraço dela foi o que me acalmou e me trouxe o mínimo de paz pra conseguir dormir umas três horas. Antes de amanhecer seguimos sentido Rio Grande do Sul, cerca de 200 km de distância. A viagem foi tensa, eu estava nervosa e ela também, mas ao contrário de mim ela explode quando fica assim. Vim a viagem inteira tentando me manter neutra e deixando ela gritar toda a frustração que estávamos passando pela segunda vez em menos de quatro anos, era difícil pra mim, mas sei que pra ela era pior ainda. Depois de quase três horas, com um clima frio, cheio de serração e uma rota totalmente não planejada, nós chegamos. Tive uma crise de pânico antes de entrar no pavilhão da comunidade, fiz um esforço enorme pra conseguir me controlar e abraçar todos os primos, primas e os irmãos de minha mãe. O marido de minha tia estava sentado em uma cadeira próximo ao caixão e quando me viu seus olhos se enxeram de lágrimas e disse “você é a cara da tua mãe”. Dei uma abraço forte, desejando sugar toda dor e sofrimento dele. Foram 52 anos de casamento, e eles se amavam, nunca tive dúvida disso. Eles eram aqueles tipo de casal que olhamos e temos certeza que são feitos um pro outro. Quando vi ela no caixão era como se eu estivesse vendo minha mãe novamente, elas eram muito parecidas fisicamente. Eu ligava pra ela as vezes, queria ter ligado com mais frequência, mas ouvir a voz dela machucava, ouvir aquele “Letícia, a filha da falecida nena” doía demais. Esse final de semana foi complicado, mas nunca me senti tão amada e amparada como me senti na família de minha mãe. Um dos irmãos de minha mãe tem 72 anos e caiu do cavalo quando tinha 8, desde então ele não compreende tão bem a realidade. Eu o vi quando tinha 11 anos e o carinho que ele tem por mim me deixou surpreendida. Apesar de eu não ter visto ninguém nos últimos dez anos, todos sabiam quem eu era e que estou me formando professora porque ele conta pra todo mundo e se sente orgulhoso de mim, talvez até mais que meu pai. Quando eu o abracei ele chorou e disse que estava com muita saudade e queria que eu ficasse ali, eu nunca imaginei que ele gostasse tanto assim de mim, porque nunca tivemos muito contato com a família de minha mãe. E assim foi com todos os primos e prima. Me perguntei várias vezes se eu não seria mais feliz se tivesse crescido ali, com toda a família. Voltamos domingo a noite, mas fui pra São Miguel do Oeste ver a Lê e o Pyetro e foi uma festa danada quando me viram descendo do carro, a melhor coisa foi ouvir o grito “Tiaaaaaaaaaaaa Letíciiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaa” do Pyetro que vinha desesperado no meu colo. Foi uma noite de domingo e uma segunda-feira cheia de abraços, beijos, colos e muito dengo. Eles trouxeram um pouquinho de conforto nesse momento tão difícil.

Da janela

Era só mais uma manha de quinta-feira. Acordou apressada, dormiu pouco e estava irritada, nada longe da normalidade diária. Sentou-se na janela da lotação e ficou observando as pessoas seguirem seus rumos, para o trabalho, escolas, para algum lugar que julgava ser mais animador que a universidade. Foi quando viu uma conhecida com o filho, caminhando com os passos rápidos, julgou que a mulher estaria levando o menino à escola. Estava com uma mochila quase maior que ele mesmo, tinha as bochechas coradas, e pelo movimento dos lábios a mãe mandava ele se apressar, estava atrasada para o trabalho. Foi abandonada pelo marido há quase um mês, com dois filhos pequenos, e desde então tem uma rotina extremamente corrida, onde se revesa em dois empregos. Se olhar para essa mãe atentamente, você consegue perceber que a luz dos olhos está mais apagada que o normal, os ombros mais caídos ao caminhar e a respiração mais pesada. Com lágrimas nos olhos, na janela do ônibus, a moça dos cabelos cumpridos começou a pensar no tanto de gente que passa pelas janelas de carros, ônibus, casas. Pessoas que não sabemos quem são, o que sentem ou o que enfrentam diariamente. Nos falta empatia. E naquele momento ela agradeceu baixinho pelo dia que tinha acabado de começar.

17/11/2017

Estava sentada no meio fio quando um vento suave bagunçou seus cabelos e trouxe o perfume que tentava esquecer. Nesse momento uma mistura de sentimentos vieram a tona e as lágrimas escorreram em seu rosto se misturando as camadas de maquiagem que usava para tentar esconder a dor dos últimos dias. A maquiagem borrada refletia o seu estado de espirito. Todos os seus pensamentos se embaralharam em um nó, envolto em uma só pessoa, que conseguiu despertar os melhores e piores sentimentos. Tem vezes que o amor torna-se uma doença, doença que machuca fundo, que agoniza. As vezes o amor torna-se um vício. E a única cura pra essa dor, é o afastamento, que deixa marcas visíveis e que as lágrimas tentam limpar. Era quase duas horas da manha quando decidiu seguir seu caminho e voltar para casa, com uma garrafa de cerveja na mão e cigarros escondidos no jeans. Continuou sua caminhada em um ritmo descompassado, parando a cada cinco minutos para dar uma longa tragada no ar, tentando aliviar a sensação de perda, que parecia mais uma dor de estômago. Uma fria garoa começou, as gotas gélidas percorriam todo o seu corpo, causando arrepios e uma sensação de conforto tomou conta. Foi quanto percebeu que tudo iria ficar bem, sim, tudo bem!

Existência

Queria poder mergulhar em  um vazio, onde não existisse mais nada além de mim… Onde eu pudesse organizar meus pensamentos sem me preocupar com os julgamentos precipitados de pessoas que mal sabem o que acontece em minha vida! Queria poder flutuar sob as nuvens, sem o peso das preocupações frequentes que me torturam nas noites de insônia. Queria um momento de paz, de paz comigo mesma. Essa correria cotidiana é torturante, acaba com a saúde mental, e muitas vezes com a física também. Tem dias que sinto como se eu estivesse imersa em um grande balde de água fria, onde o corpo todo sente a água invadir cada molécula e faz estremecer até os fios de cabelo, onde não há sentimento, mas só o sentir da pele, tudo superficial, nada profundo. Não consigo ir fundo o suficiente, não consigo mergulhar de cabeça, porque não consegui ter esse tempo de paz. Não posso mentir pra mim mesma dizendo que está tudo bem, quando na verdade passa bem longe disso….